quinta-feira, 7 de julho de 2011

Não te perdoo...

Anos passados a sonhar com a tua presença ao meu lado.

O desejo de te ter todas as noites, os nossos corpos enrolados nos lençóis com a tua pele a tocar na minha, os teus beijos e o teu abraço…aquele teu abraço que me fazia sentir a mulher mais feliz do mundo.

As tuas mãos a deslizar pelo meu corpo, a maneira como sempre me acariciaste, a maneira como me amaste, e o teu cheiro, aquele que me deixava louca por te ter sempre comigo, constantemente…

A nossa casa, o nosso espaço, o nosso filho…adorava quando colocavas a cabeça a ouvi-lo e ficavas horas e horas estático comigo, connosco.

Desastres ocorrem sempre mas connosco? Em que pensaste quando começaste a beber?

O teu cheiro nauseabundo provocava-me vómitos, e a dor que me fazias sentir por cada bofetada que me davas tornou-se insuportável…

Chegavas a casa e já não vinhas deitar-te carinhosamente a meu lado, chegavas e insultavas-me constantemente, ofendias-me como se fosse uma vadia, abordavas-me como se fosse uma delas, duro e cru.

Quem és tu? Arrastavas-me pelos cabelos, os pontapés que me davas desenfreadamente, como se quisesses matar o teu filho, as noites em que não me deixaste dormir por obrigatoriamente ter de satisfazer os teus prazeres, por ter de ser o teu saco de pancada e ser submissa a ti…

Assassino! Matas quem mais te iria amar…

Quando acordei para viver já era tarde…fugi pisada, cortada, marcada por uma vida de agressão que me fez perder o bebé que trazia no ventre…o único pequenino ser que algum dia amei…

Não te perdoo…

Nesta noite escura, a tranquilidade absorve-me tão profundamente que consigo ouvir a chuva que de tão pesada faz bater as telhas soltas.
Tu não estás, esta noite não vieste…
Onde estás? Para onde foste? Repetidamente olho o telefone, nada...
Sinto vontade de te ligar, de ouvir a tua voz, de te ver, de te ter…adormeço a pensar em ti…
A meio da noite acordo e procuro-te…onde estás meu amor? Tenho saudades de te ver olhar para mim, aquele olhar que me faz deixar de pensar, que me enlouquece, que me faz viver o que é nosso…Onde estás?
Partiste sem deixar recado, e deixaste-me sem saber quando voltas…nesta angustia que me come por dentro…
Habituaste-me tão mal…quero-te aqui…

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Bons tempos foram vividos, tempos que não foram apenas momento passados, tempos que ficam e que permanecem para sempre...
As cores também permaneceram numa memória longínqua e é lá que vão ficar, porque as cores que em tempos foram vivas, um arco-íris de felicidade, essas cores escureceram com mágoas e desilusões...
O doce? Tornou-se amargo, azedo, intragável...
Algo que só por erro voltaria a comer...
Já errei o suficiente. Será não errava ao perdoar?
"O perdão dá oportunidade ao outro de ser hoje quem não era ontem", "Perdoar liberta tanto o ofensor quanto o ofendido", mas eu não me quero libertar, eu já sou livre! sou livre e feliz assim, basta de oportunidades e de pedidos sem sentido.

Aconteceu, foi vivido e sentido, mas acabou...

Apenas vai habitar na memória e num lugarzinho bem no fundo do coração, onde se guarda as coisas doces, com sabor a gomas que um dia se partilhou... lugar esse em que elas não azedam como na vida real.